Vemos todos os anos casos de calouros feridos e até mesmo mortos por conta de trotes universitários. Enquanto as universidades não criarem políticas duras contra estas barbáries, elas continuaram a ocorrer.
Contra estes absurdos, separei alguns vídeos de trotes solidários, algumas ideias de ótimas ações que os Veteranos poderiam promover para agregar o calouro à universidade e contribuir para a comunidade local, dando uma valiosa lição de cidadania a todos.
Talvez os sem-amor invadam os corações alheios e suguem até a última gota.
Os cofres dos Bancos serão arrombados pelos sem-dinheiro. As casas de praia serão tomadas pelos sem-casa-de-praia. As Universidades cairão nas mãos dos sem-escola.
Nenhum supermercado será perdoado.
Haverá um histórico conflito armado entre os com-doença e os com-fome. Os sem-fundos avançarão sobre os sem-débitos. Uma grande revolta abalará os sem-propina. Os sem-emprego marcharão sobre as cidades afugentando os com-emprego – que então se tornarão os novos sem… Juntos tomarão as fábricas criando assim o movimento dos patrões denominados sem-fábrica. Os sem-fome criarão problemas para os sem-barriga.
O caos reinará. Surgirão os sem-nada. Os céus se abrirão, e deles virão os sem-céu, que são anjos banidos da sociedade dos anjos. O fogo queimará os sem-vergonha. A água apagará o fogo e surgirá um movimento novo chamado os sem-fogos, que será encapado pelos sem-potência e pelos sem-ereção. Os sem-Deus entrarão em revolta. Os sem-mulher levarão a mulher do próximo. Os sem-próximo arruinarão os sem-ninguém. Todo o celular estará sujeito a ser tomado pelos sem-celular. E não haverá juízo final, por causa do movimento dos sem-Juízo-Final.
Artigo publicado na edição 32 da revista Filosofia, da Editora Escala.
Neste exato momento, muitos de nós desejaria não ter tido que saber sobre algum fato, seja lá o que for.
Várias vezes, já me peguei pensando que tem coisas que é “melhor” a gente não saber. É que viver no território da ignorância não é nada mal. Pelo menos, até a gente descobrir que é ignorante. Aí, as coisas mudam de figura. Ou não.
Veja que eu não estou me referindo somente ao aspecto educacional ou intelectual da ignorância, mas a tudo aquilo que, por mais comum e corriqueiro que possa parecer, nós ainda não sabemos. De fato, estou falando das pequenas ignorâncias do nosso dia-a-dia, daquelas ignoranciazinhas que, aparentemente, parecem não trazer nenhum problema ou consequência. Porque as grandes ignorâncias, aquelas que gritam na nossa cara, as supremas ignorâncias históricas, essas, a gente vai, mais cedo ou mais tarde, ter que reconhecer. Elas fazem parte de um grande e engenhoso processo de aprendizado e mudança. Mas a miudinhas, essas podem persistir absurdamente, durante anos, sem que a gente sequer se dê conta disso.
Pode parecer que estou brincando ao citar este exemplo, mas é sério, e me serviu como exemplo, bem-humorado espero, durante uma aula ainda ontem, falando a um grupo de alunos. É sobre uma cena do sitcom The Big Bang Theory, onde o personagem Sheldon (magnificamente interpretado por Jim Parsons) está “tentando” jantar num restaurante chinês com dois dos seus três inseparáveis amigos.
Por ser um gênio obsessivo-compulsivo, ao fazer o pedido dos quatro biscoitos da sorte de sempre, Sheldon diz que eles estão apenas em três e que isso vai ser um problema, pois não é assim que devia ser. O quarto amigo faz muita falta, porque vai sobrar um biscoitinho! Os outros dois sugerem outras opções do cardápio, mas, é lógico, nada dá certo. Até que o dono do restaurante, um “chinês” nascido em Sacramento, na Califórnia, que não aceita substituições e nem reduções nas quantidades (a porção de quatro biscoitos é de quatro biscoitos e ponto final), sugere que pode deixar cair um dos biscoitinhos sem querer, como se fosse um acidente, para que eles possam ficar apenas com três. Os outros dois, mortos de fome e querendo acabar logo com aquilo, acham a idéia ótima, mas Sheldon diz que não vai dar, que é tarde demais pra fazer isso. Todos perguntam por quê e ele responde:
- Porque agora eu sei!
Esses pequenos jeitinhos que arranjamos para fazermos de conta que não sabemos aquilo que sabemos é comum na vida de todos nós, porque parecem inofensivos e até inocentes. São quase uma polida maneira dissimulada de ser e de viver.
Fazer vistas grossas é um ditado antigo, mas que me parece bem apropriado para definir situações em que a gente sabe, mas faz de conta que não sabe. A gente tem consciência da “coisa”, mas finje que é ignorante. Afinal, muitas vezes, é mais confortável se viver na ignorância.
Estranha a vocação brasileira para o espanto repentino com coisas que, até o momento do sobressalto, desfilavam aos olhos com a placidez dos rebanhos. Pobre José Dirceu. Que tocava a vida com suas patranhas e consultorias em santa paz, como há muito. Do nada, foi catapultado para o noticiário só porque o encontraram num emaranhado de fibras ópticas que vai tragar mais um pedaço do querido dinheirinho dos brasileiros. Qual a novidade?
Há pelo menos dois anos (janeiro de 2008) a revista piauí descreveu à minúcia a desenvoltura com que Zé Dirceu se move no mundo dos negócios. É o consultor preferido de dez em cada dez interessados nas grandes operações que passam por Brasília. Tem conhecimento específico sobre a atividade de quem o consulta? Nem que fosse gênio do bem. Mas, se algum dia tirou os pés do Planalto, não perdeu a majestade.
Alguém imagina que um sujeito possa botar um governo em pé, mande e desmande nesse governo, comande uma mesa pela qual passam todos os negócios e favores da República, e, de repente, desembarque disso e vá criar cabras? Menos, meus amigos. Só por que na suprema Corte do país o apontam como chefe de uma quadrilha de ladrões? Ora, o pais inteiro sabe que quando Dirceu for julgado talvez as galinhas já tenham criado dentes.
A surpresa que nos causa a paisagem só reflete o cinismo do qual o país está impregnado. Exemplos desse mal não faltam. O presidente da República foi recebido em Cuba com a notícia da morte de um dissidente político e culpou o morto. Não se deve enfiar a colher no governo alheio, disse. Isso depois de se ter atolado até os joelhos na crise de Honduras e até hoje negar reconhecimento a um governo eleito pelo povo. O presidente percorre o país, há quase oito anos, com uma bobagem a cada discurso e achamos que isso é bom. Bicho papão é o Zé Dirceu. Faz e acontece contra a vontade do dono. Então tá.